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Eu não vou ver o Brasil jogar

quinta-feira, junho 12, 2014

Hoje a começa a tão esperada Copa do Mundo aqui no Brasil

A estréia da seleção Brasileira está marcada para às 17h00 com o jogo que irá disputar com a Croácia. Das 17h00 até às 19h00, o Brasil vai parar. Alguns estabelecimentos irão parar de trabalhar antes mesmo das 17h00. Bancos, lojas, farmácias, escolas, faculdades e até hospitais vão esperar para ver a Seleção Brasileira em campo.

Sei que nós somos o país do futebol, mas eu NÃO concordo com essa atitude.

Com tantos problemas acontecendo no nosso país e o povo nesse clima de festa?

Nós temos uma educação ruim, saúde péssima, acessibilidade horrível, cultura arcaica... Pessoas estão passando fome, morrendo em filas de hospitais porque falta o mais básico do básico para um atendimento de emergência. Temos pessoas desempregadas, que não conseguem medicamentos de extrema necessidade nos postos de saúde e MUITO MAIS...


Aqui na minha cidade, vários locais vão oferecer telões, cerveja e pagode após o jogo. Mesmo se o Brasil perder. Se perder, se dane! Pelo menos a seleção jogou, fez bonito e nós estamos sendo o centro das atenções do universo todo. Com certeza os marcianos devem olhar lá de cima e comentar: "Que bando de otários!!!"

Respeito quem vai assistir. Que torçam, que gritem, que gastem dinheiro com camisetas, bandeirinhas, cornetas e etc. Eu não gasto 1 real do meu bolso para comprar essas coisas.

Vamos mostrar uma imagem do que não somos para o mundo todo . O Brasil ISENTOU a Fifa de qualquer tipo de imposto durante a Copa do Mundo. Em toda a história do futebol, nenhum país fez isso. Porque nós temos que fazer? Porque vamos varrer a sujeira para debaixo do tapete?

Esta é a Copa mais cara de todos os tempos.

Se a Seleção Brasileira ganhar ou perder, ao final da Copa os jogadores serão recebidos como "heróis". Heróis? Heróis de quê? De quem? Nada contra qualquer um dos jogadores. Mas eu tenho outro conceito sobre "herói".

Herói pra mim é meu pai, Francisco Suassuna Virgolino que se formou numa faculdade federal de Medicina e veio do Nordeste para São Paulo com a esposa e uma filha de menos de um ano de idade com apenas o diploma de Medicina nas mãos. Veio para uma terra completamente estranha, longe da família e venceu na vida honestamente, sem precisar passar por cima de ninguém.

O feminino de herói é heroína. E heroína pra mim é minha mãe, Dirce Bezerra Suassuna, que criou cinco filhos numa época em que não existiam fraldas descartáveis, nem mamadeiras de acrílico, nem ultrassonografia, nem celular e pediatra era uma coisa raríssima.

Heroína sou eu, que depois de terminar um casamento de dez anos, fui fazer faculdade com duas crianças pequenas (uma de 4 e outra de 2 anos),terminei e fiz pós-graduação. 

Heroína é minha amiga Roberta Congentino que aos dezesseis anos teve suas duas pernas amputadas enquanto caminhava na calçada. Sim, ela estava na calçada quando dois jovens irresponsáveis disputavam um racha e um dos carros invadiu a calçada onde ela caminhava  prensando-a contra a parede e decepando-lhe as pernas. Hoje Roberta é campeã de natação na minha cidade. Formada em Medicina Veterinária, casou-se, tem um casal de filhos lindos, esbanja alegria e alto astral por onde passa.

Herói pra mim é meu amigo Renato Jorge Alves que ficou cego aos trinta e sete anos de idade. Hoje tem mais de 50 anos, está aposentado e cuida das afazeres domésticos da casa. Faz consertos domésticos como ninguém, faz café, lava roupa e uma série de coisas que vocês nem imaginam que uma pessoa cega consegue fazer. Ele nem conhece o rosto do seu filho, pois quando o garoto nasceu, ele já estava cego.

De repente seu mundo fica escuro e você não acha o interruptor da luz...

Heroína pra mim é minha amiga Alexsandra Rodrigues que teve sua perna direita amputada há dois anos. Hoje ela está reaprendendo a andar com sua perna mecânica que demorou meses para chegar. O SUS está uma beleza, por isso que a perna dela demorou para chegar. Alexsandra ficou internada por meses entre a vida e a morte. Ficou careca, emagreceu demais, amigos desapareceram e hoje ela valoriza coisas na vida que antes não valorizava. Está sempre de bom humor e ri de tudo. 

Você nasce andando e de repente por uma ironia do destino, você para de andar. Onde está seu direito de ir e vir agora? Ah tem a cadeira de rodas. Mas as calçadas são acessíveis? Você consegue entrar nas lojas e procurar o que quer sem derrubar nada? Você consegue ir ao cinema e sentar na última fila como fazia antes? Você consegue passar suas compras na esteira do caixa do supermercado? Você consegue estacionar seu carro nas vagas destinadas a você? Não, não e não para essas e todas as perguntas possíveis.

Heroína pra mim é minha amiga Cíntia Firmino, que nasceu ouvinte e devido a uma otosclerose ficou surda aos 37 anos de idade. Hoje ela é professora de Libras além de uma grande militante do movimento Libras.

Você nasce ouvindo e de repente não ouve mais. E agora? Como ouvir o noticiário na TV? Como assistir ao jogo de estréia da Seleção Brasileira? Como ir ao cinema ver um filme nacional?

Heroína pra mim é Fabiana Sugimori, cega que já nadou nas Paraolimpíadas.

Herói pra mim é meu amigo Raphael Nascimento, que perdeu sua perna num acidente e hoje pedala pelas estradas da vida e joga basquete.

Heróis são pessoas que lutam todo dia por acessibilidade, por seus direitos e contra o preconceito. 

Herói pra mim, é um pai de família que acorda às 4h00 da manhã, pega cinco ônibus para trabalhar e tem que se virar com um salário mínimo para pagar aluguel e sustentar uma família.

Heroína pra mim é mãe que acorda às 6h00 da manhã e leva seu filho na garupa de uma bicicleta para a creche num frio de 8 graus. Deixa o filho e vai trabalhar de faxineira. No final do dia pega seu filho na creche e vai pra casa. Chegando em casa ainda tem que lavar, passar, cozinhar...

Heróis pra mim são os bombeiros, os policiais, os médicos, os enfermeiros e todos os profissionais que cuidam dos seres humanos e animais diariamente. Pessoas que tem a vontade de fazer o mundo melhor.

E por falar em Bombeiros, vocês se lembram o que aconteceu ao final da Copa de 2002 quando o Brasil foi Penta?

O Corpo de Bombeiros de Brasília decorou o caminhão com dinheiro do próprio bolso de cada bombeiro para esperar os jogadores da seleção e desfilar pela cidade de Brasília. Isso era uma tradição até então.

Quando o caminhão de bombeiros chegou ao local, o trio elétrico de Ivete Sangalo estava lá. Os jogadores mais baladeiros preferiram o trio baiano ao caminhão do corpo do bombeiros que carinhosamente decorou e preparou seu caminhão especialmente para recebê-los. O caminhão de bombeiros saiu triste e sem passageiros. O mesmo carro havia levado as seleções campeãs de 1970 e 1994. 

E pasmem: "Isso aconteceu no dia 2 de julho. O dia em que é comemorado o dia do Bombeiro. Os bombeiros de Brasília levaram à Base Aérea um caminhão histórico da corporação, o mesmo que transportou as seleções nos desfiles após as conquistas do tri, em 1970, e do tetra, em 1994."


Houve polêmica porque, no Dia dos Bombeiros, a seleção acabou não subindo no carro de bombeiros preparado para ela. 

Vejam este outro link: http://esporte.uol.com.br/ultimas/reuters/copa/2002/07/02/ult1001u1622.jhtm

Desde então, o Brasil não conseguiu ser Hexa. 12 anos se passaram e o que mudou neste país????

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