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Joceline mamãe surda - Eu interpretei o parto

segunda-feira, maio 21, 2012

Hoje, meu pai, Dr. Francisco Suassuna Virgolino, médico cirurgião e obstetra, estava de plantão na Santa Casa e me ligou pela manhã. Havia uma gestante surda para ter neném e se eu poderia ir até lá interpretar o parto. Claro que eu fui.
 
Chegando lá, conheci Joceline. Estava muito nervosa, pois era sua segunda filha e sua maior preocupaão era a laqueadura.

Aqui eu e Joceline estamos indo para o Centro cirúrgico. Fizemos todas as perguntas de praxe de uma anamnese:
 
- É diabete?
- Fuma?
- Bebe?
- Primeiro filho?
- Tem alergia a algum medicamento?
 
Ela ficou bem mais tranquila por eu estar lá. Além de ser a segunda filha, ela queria fazer laqueadura. Se eu não estivesse lá para interpretar, como os médicos iam saber? Nenhuma enfermeira conseguiu se comunicar com ela. E ela estava com uma papel da justiça na bolsa, onde dizia claramente a necessidade de um intérprete e que fosse realizada a laqueadura. Se eu não estivesse lá... Já pensou se meu pai faz a cesárea sem realizar a laqueadura?
 
 
Isabella chegou bem e chorando muito. Sinal de que o pulmão está em ordem.
 
  
Vamos pesar, embrulhar e conhecer a mamãe.
 
 
 
Hoje eu tive a honra de intepretar o parto de Joceline. Joceline é a 1a mamãe surda de Mogi Mirim a contar com o apoio de um intérprete em LIBRAS durante o nascimento de sua filha Isabella. Isabella nasceu no dia 21/05/2012 de parto cesáreo, às 10h15 da manhã, pesando 3.050 kg, medindo 47 cm. Joceline Pereira Santos Geraldo é casada com André Geraldo que também é surdo. O parto foi realizado na Santa Casa de Mogi Mirim pelo médico Dr. Francisco Suassuna Virgolino.


Prontinha para conhecer a mamãe!!!
 

Foi emocionante. Pude ver em seus olhos a tranquilidade dela enquanto eu interpretava todo seu parto, inclusive a conversa paralela entre os médicos e todos os barulhos e ruídos que aconteciam dentro do centro cirúrgico. Ela ficou muit tranquila. Fiquei até o último minuto com ela no centro. Até que as enfermeiras pudessem fazer seu curativo e soltar seus braços. Aí foi quando ela disse: "Deus abençoe suas mãos. Uma pena você não ver minha primeira filha nascer." - Poxa, quando ela me disse isso, fiquei pensando na sua angústia em ir para uma sala de cirurgia, ganhar um filho, sem escutar nada e ninguém entender oq eu você fala. Dá até medo de pensar...

Ajudar, não tem preço. Para todas as outras existe Mastercard, Visa, American Express, cartão Casas Bahia, Pernambucanas, cheque pré, etc.


E aqui o grande encontro. Mãe e filha enfim juntas.

 

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