Nós somos muito pequenos
Eu descobri estudando
Vi que na realidade
Só Deus é quem sabe tudo
Eu fico impressionado
Pensando no aleijado
No cego, no surdo e no mudo
O aleijado vive tristonho
Por não conseguir andar
O cego pedindo esmola
Por não poder trabalhar
O surdo por não ouvir
E o mudo por não falar
Quem pensa bem vê que isso
Não são frutos da pobreza
Porque na realidade
Para isso não tem riqueza
É bom que todos concordem
Sabendo que vem da ordem
De Deus sobre a natureza
Devemos tratar muito bem o mudo
E o surdo com muito respeito
O aleijado e o cego
Tratemos do mesmo jeito
Tudo tem o seu final
E é o Deus pai celestial
Tudo que faz é bem feito
Eu não sabia que a vida
Era cheia de ilusões
Hoje sei porque um dia
Parei para prestar atenção
Fiquei sabendo a verdade
Olhando a dificuldade
De um cego e um ancião
O cego me disse amigo!
Pare um pouco para pensar
Que a visão é uma riqueza
E nunca se pode negar
Isso eu falo com certeza
Porque a minha maior tristeza
É não poder enxergar
O ancião me falou
Baseado na verdade
Procure viver sorrindo
Sem luxo e sem vaidade
Veja que eu vivo triste
Porque entre tudo que existe
Me falta a saúde e a tranquilidade
Depois daquela conversa
Esqueci as ilusões
E guardei os bons conselhos
Na minha imaginação
Não consigo tirar da mente
Quanta tristeza que sente
O cego e ancião.
Diante da natureza
De infinita bondade
Sobrevive a humanidade
A vida causa surpresa
Tem a fase da tristeza
Sem nenhuma solução
Pois a vida é uma ilusão
No final não tem saída
E não sente prazer na vida
Quem é cego ou ancião.
A cegueira e a idade
Trazem angústias iguais
O cego sente demais
A falta de liberdade
O ancião tem saudade
Da sua vida em ação
Vivendo na solidão
Toda vontade é perdida
Não sente prazer na vida
Quem é cego ou ancião.
Eu vi um cego cantando
Fazendo versos na praça
Para mim a maior desgraça
Foi ver o povo zombando
Ele sempre improvisando
Fazendo verso na hora
Carregava uma gaiola
E não era para se mostrar
Mas dentro dela se ouvia
Gorjeando um sabiá.