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Haja paciência - Eu não acredito no que ouvi

domingo, junho 16, 2013


Hoje fui almoçar com meus filhos e dois amigos surdos. Já estou acostumada com todo mundo ficar nos olhando enquanto conversamos. O bom é que podemos almoçar e conversar de boca cheia. Rsrsrsrsrs



Encontrei uma colega com quem estudei no colegial e ela se sentou à mesa para conversarmos um pouco. Eu fiquei muito feliz em revê-la e começamos um papo animado. Lógico que eu continuei sinalizando para que meus amigos surdos não se sentissem excluídos da conversa.  No meio do papo, ela dá um tapa na minha mão e diz:

“Para de ficar fazendo mímica porque está todo mundo olhando.” – Eu assustada com a atitude respondi: “Não é mímica, é a língua deles. Seria a mesma coisa se você chegasse e eu estivesse com ouvintes, eu iria apresentá-los como fiz e continuar a conversa. Só que ouvintes ouvem e surdos não. Por isso preciso sinalizar.”

Continuamos a conversa e novamente ela bateu na minha mão. Eu educadamente disse: “olha “amiga”, se você fizer isso de novo, eu vou te dar um tapa na boca.”

Ela: “Credo Ângela.” – Eu: “Sim, eu estou falando com as mãos e você dá um tapa nelas? Como você fala com a boca vou dar um tapa na sua boca, o que acha?”

Acho que ela deve estar ficando meio lelé, pois não me levou a sério e perguntou como os surdos tinham orgasmo. Jesus amado, surtei. Isso é pergunta que se faça? E na frente de duas crianças?

Eu respondi: “Como qualquer ser humano.” – Nisso, eu estava colocando o resto da comida que meu filho tinha deixado no prato numa vasilha que sempre carrego comigo. Ela perguntou: “Vai levar pra jantar?” – Respondi: “E se eu levar? A comida já está paga. Mas vou levar para os meus cachorros.” – Ela: "Nossa, eu lembro quando você levava as bordas da pizza... Lembra?” – Eu: “Sim, eu lembro e continuo fazendo isso. Acho um desperdício jogar comida no lixo.”
Não contente, ela solta: “Nossa Ângela, você e suas loucuras. Carregar vasilha para levar resto de comida embora e agora essa de surdos...Sempre com mania de pobre. Procure algo que dê dinheiro.”

Ah daí é demais né? Eu disparei: “O quê por exemplo? Você terminou a faculdade? Você trabalha? Ah eu esqueci que você casou com marido rico. Então para com essas lipoaspirações, porque já sugaram um pouco do seu cérebro. Se ele te deixar você vai fazer o quê?”

Peguei minha vasilhinha, chamei meus amigos surdos, as crianças e levantamos da mesa. Ela  só pode ter ficado doida, porque ainda perguntou: “Você não me respondeu como os surdos tem orgasmos.” – Aff... Respondi: “Querida, deve fazer tempo que você não tem um hein? Não sei pra quê tanto interesse.”

Nossa, que ridícula. Agora estou me achando grossa, mal educada. Mas espera aí... Estou cansada de pessoas que riem e debocham do meu trabalho. Sei que as pessoas tem muitas curiosidades sobre surdos, mas por favor, perguntem em particular. E daí que eu trago o resto de comida para meus cachorros? Sabe onde adquiri este hábito? Em Lyndhurst, USA, quando morei lá aos 17 anos. Lá é super normal. Animal de estimação é membro da família.

Louco é quem me diz, e não é feliz... Eu sou feliz!!!

Senhor, por favor me dê paciência e serenidade para lidar com essas pessoas ignorantes, burras e medíocres. Às vezes tenho vontade de desistir, mas mantenha meu foco. 

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5 comentários

  1. Isso mesmo Angela, eu fico extremamente "puto" quando eu ouço as
    pessoas menosprezando os surdos, será que CUSTA entender que eles
    são pessoas normais? POXA!
    Sou de BH, 14 anos, faço curso na UEMG com a Prof. Gislaine Nonato
    quero ser Interprete quando crescer bjs bjs ai!

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    Respostas
    1. Obrigada David. Muitas pessoas não entender e não querem entender. Fico muito feliz que vc, apesar da pouca idade, pense assim. Tenho certeza que vc será mais que um intérprete no futuro. Será um grande aliado na luta junto à comunidade surda. Bjus

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  2. Querida Ângela,
    Admiro o seu trabalho e sua dedicação.
    Que você colha todos os frutos e que passe adiante as sementes de um trabalho maravilhoso.

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  3. Obrigada Giselle. Tomara que eu colha sim. Bjus

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  4. Não sei nem o que faria no seu lugar, pois nao aturo esse tipo de coisas, acho simplesmente um absurdo. Sou ouvinte, tenho 17 anos e sou intérprete na minha igreja.

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