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Os batentes de paus do casarão

sexta-feira, abril 07, 2017

Faz muito tempo. A uma distância de mais de 600 Km de Natal, onde eu estava passando férias, houve uma pequena aglomeração de pessoas, numa pequena festa. Eu tinha ido visitar um amigo, que disse: "Vamos fazer uma brincadeira. Aquele que fizer o melhor verso ganha o prêmio." - Respondi: " Estou fora, pois a minha letra é muito ruim. Ele foi até a sala e trouxe uma máquina de escrever. Olhou para mim e disse: "Não aceito desculpas." Então eu coloquei o papel na máquina e escrevi estes versos:

Quem me dera voltar ao meu passado E rever a velha casa onde nasci E os campos floridos em que vivi. Com os meus pais trabalhando no roçado A minha mãe com o seu jeito delicado Cozinhando com lenha no fogão A nossa casa não tinha luxo não Mas reinava a paz e a tranquilidade Hoje eu vivo tristonho e choro com saudade Dos batentes de pau do casarão. A nossa casa era pobre mas me dava Tudo que era bom na vida Tinha a porta da frente dividida Na varanda uma rede onde eu deitava Um cantinho onde o meu pai guardava Uma enxada, uma foice e um facão Eu sai com um bodoque na mão Para caçar os passarinhos sem maldade Hoje eu vivo tristonho e choro com saudade Dos batentes de pau do casarão. Não esqueço que a nossa casa tinha Frango, galo e galinha no terreiro Muitos bodes e porcos no chiqueiro Cinco potes de barro e uma jarrinha Um pomar com caju, mamão e pinha Um moinho muito velho e um pilão E as noites de festas de São João Quando eu lembro a tristeza me invade Assim eu vivo tristonho e choro com saudade Dos batentes de pau do casarão. A nossa casa não tinha vitrô E nem porta de vidro canelado Nem entrada de ar condicionado Nem um rádio e nem um computador Nem chuveiro e nem televisão. Nem asfalto e nem iluminação Porque toda beleza do sertão Era feita com naturalidade Hoje eu vivo tristonho e choro com saudade Dos batentes de pau do casarão. As lembranças que ainda hoje guardo comigo Deixa a minha alma bastante comovida Aprendi na faculdade da vida Mas não pude livrar-me do castigo Já tentei esquecer, mas não consigo Dos meus pais e do meu lar de estimação Então saí pelo mundo na ilusão Mas ficou muito caro a liberdade Hoje eu vivo tristonho e choro com saudade Dos batentes de pau do casarão. Assim que terminei, aproximou-se de mim uma senhora, com os cabelos brancos, tingidos pela névoa do tempo. Abraçou-me chorando e disse: "Você me fez reviver minha infância e juventude. Eu quero uma cópia deste poema, para guardar de lembrança dos tempos que eu era feliz e não sabia. Naquele momento anunciaram que eu fui o ganhador.
Coloquei o poema em cima do prêmio, mandei deixar na mesa onde ela estava e sai sem me despedir. Porém, com os olhos cheios de lágrima. Eu nunca esqueci aquela senhora. Devido o tempo, eu acredito que ela já passou para a eternidade.

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